São dois pra lá, dois pra cá. Assim segue o baile. Desde dos bailes na Corte Francesa e dos passeios nos jardins do Palácio Real de Versalhes, que a coreografia intermedia a convivência social  e as suas formas de se deslocar pelo espaço. Os padrões geométricos dos pisos do salão de baile e de forma mais extensa os desenhos dos jardins, transformavam-se em verdadeiros mapas de dança, orientando os convivas e esquadrinhando relações sob uma etiqueta meticulosa, onde todos eram  espectadores e participantes.

Saber dançar era fundamental para poder existir socialmente na Corte Francesa de Luís XIV, o Rei-Sol. Nos bailes,  os casais avançavam um a um, em desfile, perante o restante da corte e o olhar panorâmico do Rei. Os padrões no chão ajudavam na tarefa que podia levar à desgraça aquele que não soubesse as coreografias da moda. Os pares uniam-se no baile, um apoiando o outro,  neste encontro entre coreografia e arquitetura, entre passos e salão.

A dança em par sempre teve esse caráter de atenção ao outro. Ao se avançar pela pista de dança, cada par o fazia em cumplicidade, em uníssono.  O prazer e aventura nas pistas de dança dependia sobretudo de se estar atento ao outro, ao seu ritmo, seus espíritos, seu swing.  

SEM CERCA NEM MURO  é um conjunto de chãos de dança, mapas coreográficos, feitos a partir de diferentes suportes, para serem vividos e dançados em pares. Uma dança a dois onde a coreografia torna-se um desafio, uma companhia e uma oportunidade de encontro.

Link para vídeo AQUI.

Trajetória

Residência no Espaço DESVIO, Lisboa – Dezembro 2020.

Atelier na PENHA SCO, 13 de Dezembro, 11h. Lisboa.

Concepção e desenho Gustavo Ciríaco

Apoio e parceria Gui Garrido & Espaço Desvio

Este projeto foi comissionado pelo projeto  (RE) INTERGRARTE promovido e organizado pela Cooperativa Penhasco, em Lisboa.

Fotos e filme Gui Garrido.