Ava Gardner, por ocasião de uma filmagem nas selvas de Bornéu comentou com um técnico: Aqui é tão claro e ali tão escuro que parece que  sou  meio  cega, meio águia. Vejo dois mundos que quase se tocam, como óleo escuro na água. (…) Somos seres estranhos. Sombras animadas. Levamos conosco o escuro do dia, a possibilidade da noite, do sonho.    

Naquilo que é visível, há sempre algo mais visível e algo que, embora oculto, parece se revelar aos poucos, tal como líquido que escorre pelo chão e desenha, à medida que avança, os caminhos da nossa atenção. Nesse movimento o que acontece e é percebido depende da força de presente que um detalhe pode provocar.  Um deslize,  um transborde de sentido, de estado, de localização.

Demarcar deslocamentos, cruzamentos, agrupamentos, isolamentos para deixar arrebentar a costura dos sentidos. No carnaval das operações, a terra gira ao contrário e o chão na sua instabilidade vira céu sem pé nem fundo. O ali cria um aqui, e o eles inevitavelmente vira-se para nós, sorrindo em espelho brilhante, nos convidando a desvendar a construção do que é traçado.

Eles vão ver se situa em fronteiras, entre o que permanece e o que passa: a presença. Entre a ficção apresentada e o real construído: a cena. Entre a escuridão que apaga e a claridade que revela: um teatro.

Ver o vídeo: aqui.

Estréia

Panorama Festival / Novembro 2010

Trajetória

Festival de João Pessoa, Novembro 2010

Festival Diagnóstico da Dança, Novembro 2010

SESC Consolação, São Paulo, Abril 2011

concepção & direção Gustavo Ciríaco

co-direção Lucía Russo

performance e colaboração António Pedro Lopes, Dyonne Boy, Francini Barros, Gustavo Ciríaco Ignacio Aldunate, Lucia Russo, Milena Codeço, Francini Barros

assistência de direção  António Pedro Lopes

trilha sonora Rodrigo Marçal

desenho de luz Andrea Capella

consultoria de luz e operação Tabata Martins

cenografia Mayra Alves (início) e Luiza Paes (conclusão)

produção e  administração Marta Vieira

estagiário Lucas Bueno

parceria e apoio Casa da Glória | Fomenta Produções | Escola Angel Vianna | Centro de Artes da Maré | UniverCidade | Uni-Rio | UFRJ

Eles vão ver contou com os fundos do Programa Rumos Itaú Cultural Dança 2009/10 e do Prêmio Klauss Vianna 2009, promovido pela FUNARTE – Fundação Nacional das Artes. 

Andrea Capella

Paula Kossatz