COBERTOS PELO CÉU 

Em uma época em que a ação humana no mundo adquiriu uma força geológica, cada vez mais somos confrontados com o desejo de reparar o que é destruído. Reparar normalmente envolve a ideia de recuperar, de re-instalar algo que foi perdido. Em um mundo à deriva, o perigo de sua perda total pela extinção dos recursos naturais nos coloca no grande dilema de lidar com algo para além de nós mesmos, para além de nossa compreensão. O artista, mais do que qualquer outro, ao longo da história lidou com o sublime da natureza e os seus abismos inexpugnáveis em seus sentidos e emoções. Testemunhas de um tipo, os artistas decantam o efêmero através de suas obras.

COBERTOS PELO CÉU é um projeto que une as artes performativas às visuais na relação entre arte e paisagem, entre discurso poético e experiência de mundo, com vistas à criação de uma coleção de instalações e performances concebidas pelo coreógrafo Gustavo Ciríaco em colaboração e diálogo com artistas de Portugal, Alemanha, Brasil, Argentina, Reino Unido e Chile.

O projeto toma como desafio inventar maneiras de traduzir e re-instalar experiências de paisagem, assumindo como desafio a possibilidade de proporcionar ao público uma visão privilegiada da fabricação de espaço de artistas singulares de diversos campos da arte, da música à fotografia, da dança às artes visuais.

Pensado para o espaço público interior (halls, galerias) e exterior (pátios, parques ou jardins), o conjunto de instalações interativas e performances convidam o visitante a re-experienciar sensorialmente paisagens marcantes vividas por artistas.

O projeto visita as experiências dos artistas portugueses Jonathan Uliel Saldanha (Música/Pt)), Miguel Palma (Artes Visuais/Pt), Cláudia Dias (Dança/Pt), João Gabriel Oliveira (Pintura(Pt), dos artistas brasileiros Luciana Lara (Dança/Pt), Michelle Moura (Dança/Br), João Saldanha (Dança/Br), das argentinas Ana Laura Lozza e Barbara Hang (Dança/Ar), da chilena Javiera Péon-Veiga (Dança e Performance/Cl). Ao mergulhar nas obras e em diálogos com artistas europeus e latino-americanos o desejo é tornar visível e experiencial o processo dinâmico através do qual são criadas suas arquiteturas efémeras particulares e ajudar a repensar o inominável que elas convocam. Estes artistas, apesar de atuarem de modos tão distintos entre si e em diversos campos da arte, possuem um traço que os reúne: a noção de território, sua transformação poética em direção a um universo próprio.

A performance direcional, PAISAGEM EM LINHA,  a partir da experiência da coreógrafa brasileira Luciana Lara, é a segunda obra da coleção a estrear.

 

PAISAGEM EM LINHA

Do planalto central brasileiro para o desfiladeiro montanhoso da Serra da Mantiqueira, da cidade planejada para o mundo dos volumes naturais,  as férias de verão iniciavam-se com o trajeto por relevos escarpados, mata densa, rodovias com o céu azul a emoldurar os contornos de um desenho em precipício. Entre a fabulação da arquitetura utópica  de Brasília e os contornos do mundo natural, a linha unia-os em traço, compartimento e caminho. Em uma galeria, um grupo de performers ativa, através de um jogo, as linhas de uma paisagem no plano horizontal do chão.

 

Luciana Lara (Niterói/BR) é artista criadora da dança contemporânea, fundadora, coreógrafa e diretora da Anti Status Quo Companhia de Dança (1988). Atua, também, como pesquisadora, professora e dramaturgista. Mestre em artes pela Universidade de Brasília – Unb. Especialização em coreografia e coreologia no Laban Centre em Londres (1996-1998). Graduada em Licenciatura em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes Dulcina de Morais.

Seu trabalho é reconhecido pelo hibridismo, a experimentação, a pesquisa de linguagem, abordagem transdisciplinar com campos não artísticos e diálogo com as artes visuais. Principais estudos: dramaturgia, processos criativos, a relação corpo – cidade e novos suportes e formatos (instalação coreográfica, intervenção urbana, site specific, internet e livros/publicações).

Criou mais de 20 obras para a A.S.Q. Cia de Dança. Últimos trabalhos de destaque: De Carne e Concreto – Uma Instalação coreográfica, Camaleões, Sacolas na cabeça e Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar. Desenvolve projetos de arte-educação, transformação de plateia e formação de intérpretes e criadores. É autora do livro Arqueologia de um processo criativo – Um livro Coreográfico.

Tem atuado nacional e internacionalmente em festivais como BITEF – Belgrade International Theater Festival /Belgrado, DDD + FITEI, Porto, Mladi Levi International Festival, Ljubljana, Zurich Moves!, Zurique, FIAC Bahia;  Festival Internacional Vivadança  / Salvador, Bienal de Dança do Ceará – De par em par, Fortaleza, Festival Panorama / Rio de Janeiro, MITSP; Modos de Existir / São Paulo, Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, Movimento Internacional de Dança – MID, Mostra de Dança XYZ, Festival Internacional da Novadança, Festival Expande Dança, Marco Zero – Festival Internacional de Dança em Paisagens Urbanas / Brasília,  Bienal SESC de Dança / Campinas, , Festival do Teatro Brasileiro de Teatro, FITAZ – Festival Internacional de Teatro de La Paz / La Paz. 

 

COBERTOS PELO CÉU 

Concepção e direção artística Gustavo Ciríaco (Br)

Coreógrafa convidada   Luciana Lara (Br)

Performers Alina Folini (Ar), Bibi Dória (Br),  Filipe Caldeira (Pt), Gonçalo Lopes (Pt),  Sara Zita Correia (Pt) e Tiago Barbosa (Pt)

Cenografia Gonçalo Lopes (Pt)

Figurino Sara Zita Correia (Pt)

Direção Técnica Santiago Tricot (Uy)

Administração Missanga Antunes (Pt)

Direção de produção Sinara Suzin (Br)

Co-produção Fundição Progresso (Rio de Janeiro/Br) & NAVE (Santiago/Cl)

Realização Efémera Colecção – Associação Cultural 

Apoio institucional  THIRD –  Dance and Theatre Academy – Amsterdam University of the Arts

Apoio a residência Devir / CAPA (Faro/Pt), Pico do refúgio (Rabo de Peixe/Pt), Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas (Ribeira Grande/Pt), 23 Milhas (Ílhavo/Pt), Galeria ZDB & Novo Negócio (Lisboa/Pt)

Apoio República Portuguesa – Cultura | DgARTES – Direção-Geral das Artes

 

Cobertos pelo Céu conta com o Apoio à Co-produção de Espetáculo 2020-2021/IBERESCENA

 

 

Festival Temps d´Images. Galeria Avenida da Índia, 22 e 23 de Outubro, 2021. Lisboa, Portugal.

Fábrica de Ideias/23 Milhas. Abril 6-17. Gafanha da Nazaré, Portugal.

ZDB/Novo Negócio. Residência. Março 1-20, 2021. Lisboa, Portugal.

Fotos João Grama